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mr. Number 6

November 2010

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Nov. 7th, 2010

mr. Number 6

tempo

Não aguento mais desperdiçar tempo. Não aguento mais lamentar o tempo perdido. Não aguento mais me irritar comigo mesmo por lamentar pelo tempo perdido.

Não aguento mais invejar a vida dos outros. Não aguento mais estar preso em escolhas diárias que acontecem pela minha incapacidade em tomar decisões.

Preciso gostar novamente do que faço. Ou fazer outra coisa.

Preciso perder o medo.

Preciso parar de lamentar o tempo perdido antes que eu não tenha mais tempo at all.
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Nov. 6th, 2010

mr. Number 6

Provisório

(I)
Começo como sempre comecei
Mãos vazias e a cabeça em prontidão
Eu quis ser bem mais que isso
Mas é o vazio
Que dá o tom de toda minha pretensão

(II)
Eu sei que é sempre tarde pra lembrar
Se é certo que não há mais o que fazer
O resto todo não pára
Não importa
Se um desejo vá me desentorpecer

Não me adianta soar bem
Se eu não puder soar at all
O resto passa e fica a impressão
De angústia, sono e só


(III)
Não importa quanto tempo vá passar
Ainda sou o mesmo ser perdido assim
Palavras são só palavras
Mas são as mesmas
As palavras que me salvarão no fim

Não me adianta soar bem
Se eu não puder soar at all
O resto passa e fica a impressão
De angústia, sono e só
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Sep. 10th, 2010

mr. Number 6

mais do que deveria

 Em pouco mais de um mês farei 40 anos de idade. Estou empacado financeiramente, não tenho reservas ou pé-de-meia, dilapidados entre 3 anos de ondas subseqüentes de gastos extraordinários variados - como mudanças de endereço avisadas de última hora ou tratamentos de saúde de 8 meses - e escolhas ruins de investimento. Nesses 3 anos, cada vez que alguma sobrevida orçamentária extra conseguia ser alcançada, em seguida surgia um custo não previsto que a levava embora: o fim de uma dívida vinha acompanhado de um corte de salário; um freela inesperado vinha seguido de um conserto de carro decorrente de algum fator externo à manutenção. Além de estar brigando para respirar financeiramente, não tenho uma previdência extra, e meu horizonte é sempre de no máximo 6 meses. Fazer as coisas certas não foi o bastante; mesmo fazer muito mais do que minha obrigação nunca me trouxe nenhum tipo de vantagem ou garantia, e a sensação perene é de estar sempre tão exposto quanto se não estivesse fazendo nada. E não há nem espaço para processar isso, porque os olhos do mundo são também os olhos do meu destino. 50% da responsabilidade é totalmente minha, por não ter me planejado, por ter abusado em momentos em que poderia ter feito uma reserva, ou por não ter tomado mais rédeas da minha própria vida e "feito acontecer". Os outros 50% eu atribuo a uma seqüência de eventos que contando parece sacanagem, mas não é - aconteceram mesmo. Coisas como acabar de sair do hospital e ser avisado pelo locatário que ele resolveu que precisaria do apartamento em 30 dias ou menos, na pior época para especulação de aluguel imobiliário.

Mas veja só: a vida é minha. O interessado em vivê-la bem sou eu, e mais ninguém. Ninguém pode ser responsável por tudo o que acontece com a própria vida, mas todos são responsáveis por *lidar* com o que acontece com a própria vida. Logo, ter 50% da responsabilidade é ter 100% da responsabilidade.

E então? E então, cale a boca, baixe a cabeça, toque em frente e é isso aí.
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Jul. 27th, 2010

I'm not a number

cogito ergo sum

I overthink; therefore I overreact.

Jul. 22nd, 2010

mr. Number 6

unfollowingmyself

Eu fico meses sem postar aqui porque me falta propósito, e me sobra preguiça para textos maiores. Nesse sentido, o Twitter foi uma merda para mim, que posso descarregar minha verborragia 140 caracteres por vez às custas da paciência alheia. Aí percebi que o último post antes de minha incursão nesta noite (ou seja, o penúltimo) foi de setembro de 2009, e pensei em tudo o que mudou de lá para cá, e o quanto.

Ainda estava no meio do semestre caótico, ainda não tinha estourado meu cheque especial de saúde, ainda não tinha recebido a grana da ação da Linknet - nem me decepcionado em como a espera foi vazia, por um dinheiro que chegou e foi-se igualmente rápido, escoado pelo rombo dos empréstimos acumulados. Ainda não tinha perdido 16 conquistas que fariam muita falta nos meses seguintes. Ainda não tinha sido hospitalizado, ainda não tinha amputado 4 dedos, ainda não tinha tido que me mudar às pressas, ainda não tinha gasto quilos de dinheiro com remédios. Ainda estava agonizando lentamente a companhia estressante de cubículo por semanas a fio no trabalho. Ainda não tinha parado para pensar em uma caralhada de coisas que depois pensei, e mais depois des-pensei com a mesma velocidade.

Os meses seguintes foram pautados por pequenos passos encadeados que ficaram fora de minhas mãos tempo demais, e que agora, ao voltarem, parecem se descontrolar novamente. Porque não parece haver paz que dure nessas pequenas jornadas. parece que cada pequena levantada de cabeça é acompanhada de uma topada, assim como cada pequeno desastre iminente é socorrido no último segundo por uma golfada de ar de última hora, uma sobrevida que (sem querer soar ingrato) parece apenas segurar o jogo por mais três minutos. está cansando, está cansando um bocado, caros drugues.

Now I've heard there was a secret chord
That David played, and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this
The fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The baffled king composing Hallelujah

(...) Love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah

(...) I did my best, it wasn't much
I couldn't feel, so I tried to touch
I've told the truth, I didn't come to fool you
And even though it all went wrong
I'll stand before the Lord of Song
With nothing on my tongue but Hallelujah

(Edição minha.)
mr. Number 6

(no subject)

 Há um quê de imbecilidade inerente às minhas tuitadas de madrugada. Ficar falando sozinho para uma porrada de pessoas (ou nem tantas assim, para ser mais realista) é muito, muito, muito idiota. E para consagrar publicamente minha idiotice, devo confessar que sucumbi à curiosidade de acessar o site "whounflollowedme". Primeiro descobri alguns unfollows ganhos recentemente. E - claro - imbecilidade não tem limite, e eu tinha que ir além, descobrindo quem não está "following back". Descobri decepcionado várias pessoas. Supondo que o site rastreia os "unfollows", creio que trata-se de gente que já me seguiu e parou - o que é de certa foram mais doloroso do que se nunca tivessem me seguido, já que às vezes as pessoas simplesmente não param para checar isso. Olhei para aqueles nomes e pensei nas razões. Me pareceram óbvias - sou floodista boêmio, mas nunca pensei que isso realmente impactasse, ainda mais pq a timelime do Twitter puxa uns poucos tantos twitts por vez. Bateu uma sentimento ruim. Sabe quando você sem querer descobre um comentário ruim que alguém que gosta fez de você? Não, não deve saber, porque somente alguém com o combo paranóia/ócio mental demais se preocuparia com isso. mas imagine que soubesse. A gente faz comentários desses, levianamente, várias vezes, sem que isso signifique que não gostamo das outras pessoas. Mas o babaca aqui não funciona assim: ele precisa que todos gostem dele, que ele seja um certo centro de atenções. Dá nisso. Pense e aprenda.
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Sep. 4th, 2009

mr. Number 6

microconto #1

Naquela manhã, ao virar a chave do carro, teve um estranho pressentimento, daqueles que as pessoas comentam ter no dia em que morrem. Achou lugar-comum, a ponto de se chatear com isso. Mas em seguida lembrou-se: mortos não falam. São os outros que comentam esse tipo de coisa, entre lenços e olhares consternados.
Então era isso. Estava decidido: não contaria a ninguém sobre o funesto pressentimento. Sucumbiria ao destino, mas nunca a um clichê.

Sep. 3rd, 2009

I'm not a number

For the benefit of my balls

 Obrigado pela atenção, senhoras e senhores. Eu não teria chegado até aqui sem a ajuda de todos vocês.

E hoje, excepcionalmente... NOT. Hoje tenho uma lista incomensurável de pessoas que gostaria de mandar tomar no cu, sem maiores cerimônias.

Coisa que como menino educado que sou, não farei. Mas fica lavrada a intenção.

Jun. 11th, 2009

mr. Number 6

O que você sabe?

O que é importante? O que é necessário?

O que precisa ser feito, se algo precisa ser feito?
Para onde estamos olhando, de verdade? O que estamos perdendo enquanto nos preocupamos com as coisas erradas?

Qual o fantasma que nos assombra?

O que estamos querendo provar, e para quem? Por que somos tão incongruentes? Que certezas são essas sobre as quais erguemos tantas promessas, valores e ansiedades? Por que os peixes não enxergam a água? Por que perpetuamos tantas bobagens? Quem está ganhando o jogo? Por que damos continuidade a tantas coisas estúpidas que, no fundo, sabemos serem estúpidas?

Por que a linha que separa a visão real da cegueira é tão tênue, e no entanto, tão espessa?

Por que é tão complicado ser honesto?

Por que temos tanto medo de entender como as coisas realmente são?

Por que caímos tão fácil nas construções mentais e racionalizações contraproducentes? Por que nos viciamos na forma em detrimento ao conteúdo? Por quer todos vivem em busca de frases de efeito ao invés de responder as coisas de forma simples? Por que precisamos seguir ao invés de pensar?

O que você sabe sobre mim? O que você sabe sobre você?

O quão honesto você consegue ser? Você consegue enxergar para além das construções retóricas que você mesmo repete todo dia?

Não há espaço para neutralidade nos dias de hoje. Alguém está pagando o preço pelo seu estilo de vida. Ou você está pagando pelo de alguém.

Apr. 18th, 2009

Não fui eu

351 dias

Caralho.

É isso mesmo? 351 dias? Eu podia jurar que esse último post aí tinha sido dia desses.

Valha-me.

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